A importância do profissional de recursos humanos na administração estratégica das empresas

Por Mara Lúcia Diotto*

A Era da Informação, cuja maior ferramenta é a tecnologia – atualmente disponibilizada em sistemas de informação e comunicação, tem trazido muitas reflexões sobre a competência informacional requerida aos indivíduos que fazem parte das atuais organizações.

Nesta nova realidade corporativa, criação e inovação já não bastam para as empresas manterem-se competitivas, com continuidade e sustentabilidade. Com a massificação oferecida pela tecnologia, é preciso encontrar compensações por meio do marketing personalizado, da liderança integrada, da valorização humana e descentralização de poder e autoridade, além da solidariedade e da cidadania. Sem estas características, voltadas à satisfação e integração de todos os seus stakeholders, a organização fragiliza sua cultura e sua filosofia empresarial, suas políticas e seus planos de ação.

Este novo modelo de organização traz alianças e parcerias em todos os segmentos, entre empresas de todos os formatos e tamanhos, com culturas e estruturas empresariais das mais diversas. E, quase na sua totalidade, as empresas parceiras e aliadas precisam somar suas capacidades, integrando recursos, pois solitárias não alcançariam qualquer objetivo.

Junto com este panorama, surge o conceito de “transferência de responsabilidades” (CHILD, 2012). Numa parceria ou aliança, não é possível confiar somente no monitoramento dos CEOs, dos conselhos de direção ou mesmo apenas dos altos executivos, já que, na prática, estes níveis hierárquicos não conhecem o detalhamento da operação rotineira dos seus negócios. Assim, é preciso que as atividades das organizações, em todos os níveis, sejam independentes e responsáveis, com informações públicas transparentes e justas, por meio de mecanismos mais amplos de consulta e participação, o que possibilita avaliações de desempenho em 360 graus na empresa.

A transparência na comunicação entre stakeholders

A comunicação aberta e a troca de informações são a essência da transparência, que resulta numa sociedade com base no conhecimento, em que cidadãos exigem o direito do saber e do conhecer, situação que é altamente favorecida com a aplicação dos Sistemas de Informação e Comunicação. Este novo comportamento organizacional possui dois aspectos importantes e delicados: a confiança e o controle entre aliados e parceiros. Inclusive entre as equipes internas de cada uma das partes. O que significa realizar uma gestão aberta, com muito mais participação dos envolvidos no controle geral.

Por um lado, surge a possibilidade de críticas e questionamentos em todos os níveis, fornecendo voz a todos os stakeholders e estimulando participação coletiva. Este clima organizacional mais aberto pode facilitar o aprendizado geral, levando à minimização de erros e à realização de melhorias constantes. Em contrapartida, incompetência e oportunismo também podem ficar mais expostos, trazendo, em alguns casos, imposição de controles unilaterais e, consequentemente, indisposição de muitos stakeholders (internos ou externos) em confiar nos parceiros e aliados. E este fator é uma das principais razões de fracassos em diversas alianças e parcerias empresariais. Considere-se aqui, especialmente, a relação entre a empresa e seus colaboradores internos.

Com todas essas variáveis adversas, ainda se constata que os atuais gestores competentes e eficientes reconhecem que podem agregar valor à vantagem competitiva da empresa quando há comprometimento, pois sabem que a confiança sempre pode ser reforçada por meio de uma comunicação aberta e da difusão da informação e do conhecimento, resultando numa atitude positiva em relação ao monitoramento mútuo. E é por isso que buscam, a cada dia, aprimorar suas competências e seus conhecimentos explícitos, seja por caminhos acadêmicos independentes ou pelas diversas ferramentas disponibilizadas pelas empresas onde atuam.

A necessidade de integração entre líderes e gestores

Para que as organizações possam sobreviver a esta nova era, é preciso promover a integração de seus líderes e gestores, responsáveis pela qualidade da cultura da instituição e que vão tornar palpáveis as características da cultura corporativa. Assim, os valores da organização são traduzidos em estratégias e ações, de forma prática.

A integração de líderes e gestores pressupõe participação e colaboração, traços fundamentais da cultura organizacional contemporânea, em que o indivíduo está, cada vez mais, reivindicando maior participação nas decisões que o envolvem. O que não deve ter uma conotação ameaçadora, mas, sim, participativa e colaborativa, que significa corresponsabilização.

E a corresponsabilização passa a exigir, de todos os envolvidos, ações de planejamento e análise do ambiente informacional. O gestor da informação e do conhecimento deve operar esse ambiente, recriando informações, alterando e mantendo as já existentes, descartando informações desnecessárias e promovendo o melhor uso das informações disponíveis.

Com certeza, a gestão da informação é o maior desafio dos executivos atualmente. Especialmente porque, ao longo do tempo, as informações disponibilizadas pela organização sofrem processos de depreciação e desatualização, que são ainda mais acelerados quando não há critérios e recursos preestabelecidos de monitoramento e atualização contínua.

Mas, apesar e além deste desafio, as empresas precisam sobreviver ao novo cenário extremamente competitivo; e sua sobrevivência depende da modernização e remodelagem de sua cultura e estrutura organizacionais, sem perder os princípios e valores empresariais.

Neste caminho, o setor de Recursos Humanos tem se tornado uma área cada vez mais estratégica nas empresas e tem evoluído muito nas últimas décadas, com participação cada vez mais ativa na integração dos colaboradores à estratégia e política da organização, Especialmente nos dias de hoje, com as questões de diversidade e pluralidade presentes em todo tempo e espaço, com tanta intensidade.

O profissional de RH e a gestão estratégica

Nas últimas décadas, o colaborador deixou se ser considerado apenas como um realizador de tarefas, para ser valorizado como patrimônio humano da organização, fazendo com que o profissional de recursos humanos passasse a ser muito mais do que apenas o responsável por atividades burocráticas, mas, sim, um estrategista em motivação, engajamento e integração de todos os agentes internos da organização, capacitado a tomar iniciativas e buscar soluções inovadoras.

Atendendo este novo cenário, o Gestor de RH possui, atualmente, diversas áreas de atuação, desde a administração de recrutamento, seleção e contratação de pessoas; passando pelos processos de saúde e segurança no trabalho; cargos, salários, tributos e benefícios; indo até aos maiores desafios no desenvolvimento de líderes e na retenção de talentos. Sem esquecer de funções de comunicação interna – o endomarketing.

E o mercado de trabalho do profissional de RH também tem sido valorizado financeiramente. Segundo artigo publicado pela ABRH, em julho de 2019, intitulado “Levantamento global aponta as 10 profissões do futuro na área administrativa”, “a posição que oferece a maior faixa salarial é a de Gerente de Talentos, chegando a R$ 26 mil, pelo nível de experiência exigido”.

Mas, para atuar na área de recursos humanos, não basta habilidades na gestão de pessoas. É preciso capacitar seus profissionais em todos os aspectos técnicos e éticos de atuação.

No que diz respeito à educação formal na era da informação, as instituições educacionais, com sua estrutura e seu corpo docente, precisam estar atualizadas com a era digital, tentando entender como pensa o estudante. E, por meio deste entendimento, realizar um posicionamento responsável, como reais e transparentes mediadores, para orientar e organizar o conhecimento.

Na região do Ipiranga, como excelente opção para capacitação profissional, a Faculdade Qualittas se destaca com o curso Tecnólogo de Gestão em Recursos Humanos, com dois anos de duração, que traz valores promocionais com até 70% de desconto. Com a utilização da nota do ENEM, por exemplo, a mensalidade de R$ 450,00 pode chegar a apenas R$ 135,00 mensais. Com uma grade atualizada, a Faculdade Qualittas oferece disciplinas voltadas à gestão estratégica de pessoas, incluindo as áreas de administração, contabilidade, legislação e comportamento, fundamentais para o desenvolvimento de competências técnicas e éticas para o profissional de recursos humanos

Na Era da Informação, onde palavras como “inovação”, “convergência”, “participação”, “contribuição”, “transparência”, “clareza” e “ética”, entre outras, são a essência das relações deste terceiro milênio, é extremamente importante que a sociedade civil, as instituições governamentais e as organizações empresariais lembrem-se da sua responsabilidade pela construção do caráter de sua comunidade, com objetivo de construir uma sociedade melhor e mais justa.

O que é necessário compreender é que as mudanças trazidas pela Era da Informação não são passageiras. É preciso adaptar-se a esta nova forma de atuação e compartilhamento, constituída por indivíduos inquietos e vibrantes, que mais e mais assumem lideranças, desde a idade escolar até chegar ao mercado de trabalho.

*Mara Lúcia Diotto é mestre em Ciências Ambientais, graduada em Administração, com especializações em marketing, comunicação e línguas. É professora universitária na graduação de Gestão em Recursos Humanos da Faculdade Qualittas.